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BLOG - Prof. Vinicius

CICLOS DE APRENDIZAGEM

CICLOS DE APRENDIZAGEM

- por:

Olá caro concurseiro, cara concurseira.

 

Nesse texto, trago alguns pontos muito importantes sobre o livro “Ciclos de Aprendizagem: um caminho para combater o fracasso escolar”, de Philippe Perrenoud.
Ao final há uma questão de concurso comentada.

 

BOA LEITURA!

 

No capítulo 02 – Novos Espaços-Tempos de Formação – o autor traz 9 teses que orientam a implantação dos Ciclos. Lembramos que Perrenoud defende a ideia de que a complexidade da implantação dos ciclos dependerá da concepção que se tem deles. Se queremos mudanças realmente impactantes para o sistema de ensino, o desafio será maior. Nesse caso, o autor ensina que “um ciclo de aprendizagem é um sistema de trabalho que tem de ser considerado em todos seus componentes”.

 

Então, vamos às teses.

 

Tese 1 – UM MEIO DE ENSINAR MELHOR: Um ciclo de aprendizagem não é apenas um meio de ensinar melhor e lutar contra o fracasso escolar. Oferece novos espaços e tempos de trabalho.

 

A oferta de novos espaços e tempos de trabalho é fundamental para se ter possibilidade de construir dispositivos de ensino-aprendizagem mais DIVERSIFICADOS e AUDACIOSOS.

 

Tese 2 – OBJETIVOS DE FINAL DE CICLO: Um ciclo só pode funcionar se os objetivos de formação visados no final do percurso forem claramente definidos. Eles constituem o contrato de base para os professores, alunos e pais.

 

Para melhorar processos de aprendizagem e tornar o ensino mais eficaz, é preciso saber que aprendizagem buscamos. Perrenoud ensina que os objetivos definidos para o ciclo não são quaisquer objetivos, mas OBJETIVOS DE ALTO NÍVEL – ou seja, realmente importantes e significativos para a formação do sujeito.

 

Sugere-se, então, um Programa em “ESPIRAL”, em que os conteúdos, habilidades e competências mais importantes e significativos aparecem mais de uma vez nas etapas do ciclo.

 

Tese 3 – DISPOSITIVOS DE PEDAGOGIA DIFERENCIADA: É importante desenvolver nos ciclos plurianuais vários dispositivos ambiciosos de pedagogia diferenciada e de observação formativa. (Diferenciar é jogar com os grupos de diversos tipos: grupos de aprendizagem, de necessidades, de níveis, de projetos).

 

Segundo Perrenoud, diferenciar significa também “propor a cada aluno uma situação de aprendizagem e tarefas ótimas para eles, mobilizando-o em sua zona de desenvolvimento próximo”. Ou seja, é preciso ajudar o aluno a aprender o que ele não sabe propondo atividades que o desafiem, que o mobilizem para a aprendizagem. Trata-se de não oferecer algo muito fácil, nem impossível, mas condizente com o seu nível de conhecimento e com os seus conhecimentos anteriores.

 

Tese 4 – PADRONIZAR A DURAÇÃO DE PERMANÊNCIA EM UM CICLO: A duração da passagem em um ciclo deve ser padrão para forçar a diferenciar a partir de outras dimensões além do tempo e para não favorecer uma reprovação disfarçada. (Diferenciar não é respeitar o ritmo de cada um, é propor-lhe constantemente situações à sua medida, para que avance tão depressa quanto possível, entre passivismo e obstinação pedagógica.

 

Dentro do período do ciclo deve-se ajudar os alunos a suprirem suas limitações (o que exigirá responsabilidade, envolvimento, comprometimento e dedicação também dos alunos). Perrenoud ensina que esse acompanhamento não se trata de respeitar as diferenças (o que seria aceitar as limitações dos alunos), mas dar conta delas (ou seja, fazer o aluno a aprender no mesmo ritmo que os alunos mais competentes, pelo menos nas áreas de competências e de conhecimentos mais cruciais. Não podemos aceitar que alunos com dificuldades de aprendizagem permaneçam com suas limitações).

 

Tese 5 – REPENSAR OS MÉTODOS DE APRENDIZAGEM: Um ciclo permite conceber e orientar as progressões ao longo de vários anos. Não é evidente, em contrapartida, que seja necessário ensinar e fazer com que se aprenda diferentemente.

 

A implantação de ciclos não é tarefa fácil, como já foi falado. Segundo Perrenoud, a organização em ciclos “resulta em questionamento dos objetivos, dos programas, das atividades didáticas, dos manuais e de outros meios de ensino, dos modos de agrupamento dos alunos, da divisão de tarefas entre os professores e sua coordenação, da orientação e do acompanhamento da progressão das aprendizagens, do modo e dos momentos da certificação dos conhecimentos adquiridos, da seleção e da orientação no início e ao longo do ensino médio, do lugar dos pais”. Dentre essas mudanças há a necessidade de melhoria dos métodos de ensino-aprendizagem, a qual se dará por meio de um progresso contínuo e não a partir de uma descoberta repentina.

 

Tese 6 – UMA AUTONOMIA PROFISSIONAL APOIADA PELO SISTEMA: Dentro de um ciclo, os professores se organizam livre e diversamente. A expansão da autonomia do professor de faz necessária: a) porque os ciclos ainda têm de ser parcialmente inventados e porque é preciso multiplicar os lugares de reflexão; b) porque as condições e as forças locais, a começar pelo número de alunos, favorecem ou impedem certos funcionamentos.

 

Como a implantação de ciclos e a sua gestão oferecem muitos desafios, é importante que os professores adotem o trabalho coletivo como caminho para efetivação dessa modalidade. Perrenoud combate o trabalho individualista, dizendo que “reduzido a seus próprios meios, um professor não utiliza senão uma parte das vantagens trazidas pelos ciclos”.

 

Lembramos que o autor também ensina que o atendimento coletivo aos alunos “autoriza dispositivos mais ricos e diversificados”.

 

Tese 7 – CONFIAR UM CICLO DE APRENDIZAGEM A UMA EQUIPE PEDAGÓGICA: É conveniente que um ciclo de aprendizagem seja confiado a uma equipe pedagógica estável, coletivamente responsável por ele durante vários anos.

 

A formação inicial e a formação contínua dos professores são muito importantes, obviamente e precisam ser devidamente cuidadas. Porém, Perrenoud exalta a necessidade de uma FORMAÇÃO ESPECÍFICA, envolvendo teoria e prática condizentes com os desafios que os professores enfrentarão com os ciclos.

 

O autor lembra que “certos problemas surgirão a partir da experiência e demandarão a construção das competências correspondentes.

 

Tese 8 – UMA FORMAÇÃO E UM APOIO INSTITUCIONAL: Os professores devem receber uma formação, um apoio institucional e um acompanhamento adequados para construir novas competências. É preciso: a) que a formação contínua esteja à escuta dos professores e desenvolva novas ofertas assim que as necessidades apareçam; b) que a estrutura de enquadramento apoie os professores em inovação de todas as maneiras imagináveis; c) que um dispositivo específico de acompanhamento seja implantado durante vários anos.

 

Além do trabalho conjunto, coletivo, entre os professores, é indispensável o apoio recebido dos sistemas de ensino, a partir das três formas de apoio mencionadas acima.
Tese 9 – UM PROCESSO NEGOCIADO DE INOVAÇÃO: A busca de um funcionamento eficaz em ciclos é uma longa caminhada a ser considerada como um processo negociado de inovação, que se estende por vários anos. (Os ciclos de aprendizagem ainda não são realidades atestadas em larga escala).

 

Perrenoud deixa claro que não existe um modelo de organização em ciclos “prontos para usar”. O sistema de que adotar os ciclos iniciará um processo desafiador, inclusive, repleto de barreiras e dilemas a serem enfrentados e superados.

 

CAIU NO CONCURSO
Vejamos agora uma questão cobrada pela Banca Nucep, em 2015:

 

Philippe Perrenoud é um dos principais autores que tem fundamentado os Ciclos de Aprendizagem, em países europeus e no Brasil. De acordo com este autor, essa forma de organizar a escolaridade é uma alternativa para enfrentar o fracasso escolar que garantiria a aprendizagem dos alunos, por meio da progressão das suas aprendizagens. A implantação de Ciclos de Aprendizagem em uma rede de ensino, vai exigir mudanças que pressupõem mudanças na organização e gestão da escola, definição clara de objetivos de ensino para professores e alunos, o emprego de dispositivos da pedagogia diferenciada, da avaliação formativa e o trabalho coletivo de professores dentre outras. Considerando as mudanças no trabalho coletivo de professores uma mudança plausível, coerente com o pensamento do autor, seria:

 

a) levar os professores a gerir um ciclo de maneira solidária, mediante um trabalho de equipe, se possível, no interior de um projeto da escola
b) implantar em larga escala um projeto para ser executado em uma escola sem séries mediante um trabalho de equipe.
c) difundir um modelo completo já testado em uma experiência piloto, que se possível, permita o professor atuar de forma solidária
d) decretar definitivamente o fim do curso por programas seriados e determinar a atuação coletiva como prioritária.
e) considerar as possibilidades reais dos professores, se possível, aceitando que há quem tenha dificuldades em trabalhar em conjunto.

 

COMENTÁRIOS
A – Correta (Condiz com a proposta do autor).
B – Incorreta (Não há a possibilidade de se implantar ciclos em larga escala. A implantação dos ciclos precisa considerar a realidade de cada sistema de ensino, bem como das escolas).
C – Incorreta (O autor combate a implantação de ciclos a partir de modelos prontos).
D – Incorreta (Não condiz com o enunciado).
E – Incorreta (Os professores devem receber formação adequada para atuarem com autonomia na gestão dos ciclos e assumirem suas responsabilidades. Ou seja, as dificuldades profissionais não devem ser aceitas, mas sanadas a partir de formação específica).

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