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PENSAMENTO E LINGUAGEM

PENSAMENTO E LINGUAGEM

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Olá pessoal, tudo bem?

Eu acabei de gravar AULAS COMPLETAS sobre Vygotsky para o curso Fundamentos da Educação Premium, com resolução de vários exercícios.

Mas eu quero trazer aqui para o blog uma parte da aula que é bem importante. Trata-se da relação entre pensamento e linguagem.

Acredito que seja uma contribuição bem importante para os seus estudos.

Ao final, seguem duas questões de concurso para você.

BOAAA LEITURA!

Lev Vygotsky (1896-1934)

Vygotsky é o desenvolvedor da Teoria Histórico Cultural, de base marxista, na qual ele defende que a transformação do sujeito passa pela interação social. Desde o nascimento, a criança mantém constantes interações com os adultos, os quais tem o papel de inseri-la na cultura.

A criança conta, a princípio, com recursos que são herdados biologicamente e, posteriormente, passam a ser resultados da mediação, do processo interpsíquico construído no contexto social.

Em seus estudos sobre Vygotsky, Portilho (2011) ensina que “o pensamento e a linguagem das crianças começam sendo funções separadas que se conectam intimamente durante os anos pré-escolares desde o momento em que aprendem a usar a linguagem como forma de pensar e o pensamento como algo a ser falado (…).”

É importante já adiantar, sobre a relação entre pensamento e linguagem, que não se trata de uma grandeza constante, imutável, ao longo de todo o desenvolvimento, mas uma grandeza variável. A relação entre pensamento e linguagem modifica-se no processo de desenvolvimento tanto no sentido quantitativo quanto qualitativo. Ou seja, o desenvolvimento da linguagem e do pensamento realiza-se de forma não paralela e desigual (VYGOTSKY, 2009).

É possível afirmar que a linguagem não é um fenômeno ou advém de características inatas e particulares aos seres humanos e também não tem um começo, ela evoluiu ao longo do tempo devido a uma necessidade básica dos seres vivos, a comunicação. (MARÇAL, et. al. s/d)

Desde o nascimento, as crianças se comunicam e interagem com os adultos, os quais as inserem no mundo da cultura. A criança é um ser biológico. Aos poucos, suas respostas se tornam resultado da mediação, de um processo interpsíquico, construído no contexto social. No primeiro ano de vida já há um rico desenvolvimento da função social da linguagem. Ou seja, os balbucios, os risos, os gestos e demais movimentos são meios de contato social já a partir dos primeiros meses de vida da criança.

Mais ou menos a partir dos dois anos de idade, as curvas da evolução do pensamento e da fala, até então separadas, cruzam-se e coincidem para iniciar uma nova forma de comportamento muito característico do homem.

Vygostky explica que sem a linguagem, a inteligência da criança permanece uma capacidade puramente prática, natural, semelhante a dos animais, como os macacos – uma capacidade limitada a funções mentais elementares e atividades animalescas, como sensações e percepções. Mas, com a linguagem, podemos interagir socialmente. (LEFRANÇOIS, 2019).

 

Também é interessante esclarecer que Vygotsky, partindo da filosofia marxista, postula que pensamento e linguagem se unem graças ao trabalho humano. Com ele, o uso de instrumentos foi refinado, houve a necessidade de planejamento para a realização das ações coletivas, o que contribuiu com o aprimoramento da comunicação social. Aliás, o pensamento verbal é o mais presente na ação psicológica especificamente humana. Ou seja, é um recurso não desenvolvido pelos demais animais.

Vale lembrar também que pensamento e linguagem são funções psicológicas superiores, que têm origem social e desenvolvem-se em um processo histórico. Elas aparecem primeiro nas relações sociais e através dos processos interpsicológicos (regulados pela interação com outras pessoas), e somente quando se tornam individuais é que podem ser efetuados no plano intrapsicológico (controladas pelo próprio indivíduo). (STOLTZ, 2012).

Quanto à sua importância, basicamente, a linguagem fornece os conceitos e as formas de organizar o real que constituem a mediação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. As funções básicas da linguagem são o intercâmbio social e o pensamento generalizante.

Quanto aos estágios da linguagem, a criança, por força da interação social, progride ao longo de três estágios no desenvolvimento da fala:

  • FALA SOCIAL (2, 3 anos): O início desse estágio é essencialmente um estágio pré-fala. É caracterizado por sons que expressam emoções e estados psicológicos simples, como fome, raiva e contentamento. Posteriormente, aparecem sons repetitivos e mais significativos (murmúrios e grunhidos). E mais tarde ainda surgem as primeiras palavras. Com as palavras, origina-se a fala social que é utilizada principalmente para controlar o comportamento dos outros ou expressa conceitos simples. As palavras se tornam abstrações cada vez mais poderosas, que podem ser utilizadas para organizar e comunicar conceitos simples.
  • FALA EGOCÊNTRICA (3 a 7 anos): É uma espécie de ponte entre a fala pública (externa), a fala do primeiro estágio, e a fala mais privada, mais interna, a fala do terceiro estágio. Durante esse estágio, as crianças geralmente falam para si próprias, como num esforço para orientar seu próprio comportamento em vez de apenas o dos outros.
  • FALA INTERIOR: Nosso falar para nós mesmos (ou fala interior) é aquilo que nos indica que estamos vivos e conscientes, que nos permite observar e dirigir nossos pensamento e, de quebra, nosso comportamento. A fala interior é o que torna possível todo o funcionamento mental superior. Durante esse estágio, o pensamento da criança atingiu um nível superior de sofisticação conceitual.

(...) no desenvolvimento da linguagem e do pensamento distinguem-se dois momentos: uma fase pré-linguística do desenvolvimento do pensamento e uma fase pré-intelectual no desenvolvimento da fala. Um terceiro momento, quando pensamento e linguagem se entrelaçam é a chamada linguagem simbólica ou pensamento verbal. (MARÇAL, et. al. s/d).

Bem, esse texto é rápido e pode te ajudar a resolver questões na sua prova. E por falar em PROVAAA, veja a questão abaixo:

(SELECON – 2018) Lev Vygotsky, em “Pensamento e linguagem” (1993[1987]), a partir de sua pesquisa sobre o desenvolvimento filo e ontogenético, afirma que o pensamento e a fala são dois processos que:

a) relacionam-se por um elo primário, condição prévia para o desenvolvimento

b) adquirem uma relação intrínseca como produto do desenvolvimento

c) têm uma relação intrínseca desde suas raízes genéticas

d) são independentes entre si

 

GABARITO: D

 

(VUNESP – 2019) É notória na reflexão de Vygotsky a articulação entre pensamento e linguagem. A partir da leitura de Fontana (1996), a afirmação a seguir que expressa corretamente essa conexão é:

a) mesmo antes de dominar a fala, uma criança pensa em conceitos para os quais encontrará as palavras mais tarde em seu desenvolvimento.

b) a internalização consiste na imposição de saberes alheios à criança, o que a impede de pensar por si própria nas palavras que deve usar em cada contexto.

c) cognição tem natureza mediada, ou seja, as funções psicológicas são desenvolvidas pelo contato com o outro por meio da linguagem.

d) uma vez aprendida a abstração de conceitos, a criança passa a pensar de modo racional e torna dispensável a sensorialidade na relação com o real

e) só faz sentido apresentar conhecimentos científicos à criança depois que ela tenha dominado o conceito como estrutura de generalização.

 

 GABARITO: C

 

 
(CPCON-2019) Muitos teóricos concordam que existe uma relação entre pensamento e linguagem, mas divergem ao explicar essa relação. Atente à assertiva abaixo e responda o que se pede.
O papel da linguagem no desenvolvimento e à relação entre linguagem e pensamento são considerados processos interdependentes desde do início da vida. A aquisição da linguagem pela criança modifica suas funções mentais superiores, ela dá uma forma definida ao pensamento, possibilita o aparecimento da imaginação, o uso da memória e o planejamento.
Esta afirmação corrobora a perspectiva de:
 
a) Kohlberg.
b) Piaget.
c) Wallon
d) Vygotski.
e) Eric Erikson.
 
 
GABARITO: D

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LA TAILLE, Y. Et. Al. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. Summus. São Paulo, 1992.

LEFRANÇOIS, Guy R. Teorias da aprendizagem. O que o professor disse.  Cengage. São Paulo, 2019.

MARTINS, Lígia Márcia. O desenvolvimento do Psiquismo e a Educação Escolar. Autores Associados. Campinas, 2015.

STOLTZ, Tania. As perspectivas construtivista e histórico-cultural na educação escolar. Intersaberes. Curitiba, 2012.

VIGOTSKI. L. S. A construção do pensamento e da Linguagem. Martin Fontes. São Paulo, 2010.

_______ Pensamento e Linguagem. Martin Fontes. São Paulo, 1998.

_______Formação social da Mente. Martin Fontes. São Paulo, 1994.

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